“Zaqueu, desce depressa, porque hoje devo ficar em tua casa.” — Lucas 19, 5

Tenho pensado muito sobre o que espero de Deus. E, sendo honesto, percebo que muitas vezes as minhas expectativas são pequenas demais. Espero ser socorrido nos momentos difíceis. Espero sentir algo bonito na missa de vez em quando. Espero — quem sabe — conseguir vê-Lo de longe, em algum momento de oração silenciosa.

Mas o que descubro, toda vez que abro os Evangelhos, é que o Deus que encontro ali não cabe nas minhas expectativas. Ele é sempre maior. Sempre mais próximo. Sempre mais surpreendente do que qualquer coisa que eu pudesse imaginar.

O homem que queria apenas ver de longe

Zaqueu era chefe dos publicanos — um cobrador de impostos a serviço do Império Romano. Para os seus conterrâneos judeus, era um traidor. Para Roma, era um instrumento. E para si mesmo? Provavelmente um homem que aprendera a negociar com a própria consciência, que trocara a honra pelo ouro e que, por dentro, carregava um vazio que nenhuma riqueza conseguia preencher.

Se pararmos para pensar, não estamos tão distantes de Zaqueu. Quantos de nós vivemos escravizados por uma imagem que construímos nas redes sociais? Trocamos autenticidade por curtidas, silêncio por exposição, profundidade por aparência. Servimos a um sistema que nos usa como instrumento — de consumo, de engajamento, de vaidade — enquanto por dentro carregamos o mesmo vazio que Zaqueu carregava. Somos cobradores de aprovação alheia, e o preço que pagamos é a nossa própria paz.

Quando Jesus chegou a Jericó, a multidão se aglomerou para ver aquele homem de quem todos falavam. Havia um movimento nas ruas, uma agitação diferente. E Zaqueu, curioso com aquilo tudo, quis entender o que estava acontecendo. Mas era de baixa estatura e não conseguia enxergar nada por cima da multidão.

O que faz Zaqueu? Corre à frente e sobe num sicômoro às beiradas do caminho — não para ser visto, mas para entender aquele movimento que tomava conta da cidade.

Mas foi Jesus quem o escolheu

“Chegando ao lugar, Jesus levantou os olhos e disse: ‘Zaqueu, desce depressa, porque hoje devo ficar em tua casa.’” — Lucas 19, 5

Jesus foi quem parou. Jesus foi quem ergueu os olhos. Jesus foi quem chamou pelo nome. Jesus foi quem pediu para entrar na casa dele.

Isso muda tudo.

Zaqueu subiu na árvore — esse foi o movimento dele, a busca dele, o esforço dele. Mas a iniciativa do encontro foi de Jesus. Não foi Zaqueu que se aproximou do Mestre; foi o Mestre que se aproximou de Zaqueu. E mais: não bastou a Jesus apenas olhar para ele. Ele quis ir à sua casa — ao espaço mais íntimo, mais particular, mais verdadeiro daquele homem.

Quando leio isso, me dou conta de que é assim que Cristo opera. Nós subimos na árvore — com nossos esforços, nossas rezas, nossas buscas — esperando talvez apenas uma visão distante de Deus. E então Ele olha para nós, nos chama pelo nome e diz: “Hoje devo ficar em tua casa.”

Não é nossa busca que gera o encontro. É a misericórdia Dele que nos acha.

O Evangelho de Mateus guarda uma cena que ilumina ainda mais a história de Zaqueu. Um jovem rico se aproxima de Jesus e pergunta o que deve fazer para alcançar a vida eterna. Jesus lhe responde que venda tudo o que tem, dê aos pobres e o siga.

“Ao ouvir essas palavras, o jovem foi embora triste, pois possuía muitos bens.” — Mateus 19, 22

Dois ricos. Dois encontros com Jesus. Dois desfechos completamente diferentes.

O jovem rico tinha observância religiosa, boa vontade e riqueza. Mas quando Jesus tocou no ponto mais sensível — o apego aos bens —, ele se fechou e foi embora. Zaqueu, por outro lado, era considerado um pecador público. Não tinha observância invejável, não tinha reputação a defender. Mas quando Jesus o chamou, desceu depressa e o recebeu com alegria. E o resultado foi imediato:

“Senhor, resolvo dar a metade dos meus bens aos pobres; e se tenho extorquido alguma coisa a alguém, restituo o quádruplo.” — Lucas 19, 8

A conversão de Zaqueu não foi forçada. Jesus não pregou para ele. Não o corrigiu. Não lhe apresentou uma lista de exigências. Apenas foi à sua casa. E a presença de Cristo foi suficiente para transformar um cobrador corrupto num homem novo.

É aí que está o segredo: o encontro com Jesus não é uma conquista nossa. É uma graça Dele. Quando deixamos que Ele entre, tudo muda por dentro.

Sobe na árvore: a nossa parte

Mas não posso deixar de notar: Zaqueu fez a sua parte. Correu à frente. Subiu na árvore. Colocou-se num lugar onde Jesus pudesse encontrá-lo.

Essa é a nossa parte na Quaresma.

Não podemos forçar a graça de Deus. Não podemos comprar o encontro com Cristo nem merecê-lo por esforço próprio. Mas podemos subir na árvore — colocar-nos no caminho por onde Jesus passa. Podemos ir à missa com atenção. Podemos abrir a Bíblia. Podemos nos ajoelhar na oração quando não temos vontade nenhuma. Podemos nos aproximar do Sacramento da Reconciliação, mesmo com vergonha.

Tudo isso é subir na árvore. É dizer a Deus, com gestos concretos: “Eu quero Te ver. Mesmo de longe, mesmo sem entender tudo, mesmo sendo quem sou — eu quero Te ver.”

E então — aí está a promessa do Evangelho — Jesus ergue os olhos, nos chama pelo nome e diz que precisa estar em nossa casa.

A verdadeira riqueza e a verdadeira pobreza

O que aconteceu com Zaqueu depois que Jesus entrou em sua casa? Ele deu metade dos seus bens. E prometeu restituir o quádruplo a quem prejudicara. Do ponto de vista material, Zaqueu ficou mais pobre naquele dia.

Mas Jesus disse: “Hoje a salvação entrou nesta casa.” (Lc 19, 9)

E aqui chegamos ao coração do que quero dizer: a riqueza e a pobreza que importam não estão nos bens materiais.

O jovem rico de Mateus tinha tudo — e foi embora vazio. Zaqueu deu quase tudo — e recebeu a salvação. O apóstolo Paulo resume esse mistério de maneira lapidar:

“Ele, sendo rico, se fez pobre por vós, para que vós vos tornásseis ricos pela sua pobreza.” — 2 Coríntios 8, 9

Cristo é o Rei Excelso que desceu do trono dos céus, que se esvaziou de toda a glória divina, que se fez pobre, pequeno, vulnerável — para que nós, em nossa miséria, pudéssemos ser enriquecidos pela Sua misericórdia infinita.

A verdadeira riqueza não é o que acumulamos. É o que recebemos dEle. É o perdão que liberta. É a paz que o mundo não pode dar. É a presença de Cristo habitando nossa casa — nossa alma — e dizendo: “Hoje a salvação entrou aqui.”

E a verdadeira pobreza não é a falta de dinheiro. É viver cheio de bens e vazio de Deus. É ter muito e não ter Ele.

Nesta Quaresma, sejamos Zaqueu

Esta Quaresma nos convida a um movimento parecido com o de Zaqueu. Não somos perfeitos. Carregamos nossas contradições, nossas comodidades, nosso apego às coisas que nos aprisionam. Mas podemos subir na árvore. Podemos correr à frente da multidão do dia a dia e nos colocar no caminho de Jesus.

E quando Ele — e será Ele quem fará isso, não nós — erguer os olhos e nos chamar pelo nome, que possamos descer depressa e recebê-Lo com alegria. Sem negociar. Sem adiar. Sem ir embora tristes como o jovem rico.

Porque o que nos espera não é uma visão distante de Deus. O que nos espera é Ele pedindo para entrar em nossa casa, sentar à nossa mesa, habitar nossa vida.

E isso é mais do que qualquer um de nós poderia esperar.


Zaqueu não esperava ser escolhido. Mas foi. E você — que leu até aqui, que carrega suas próprias contradições e seus próprios apegos — também pode ser.

Sobe na árvore. Jesus já está chegando.